segunda-feira, 15 de junho de 2009

Pequenos maiorais


Sentada à porta onde saiam sons que tremiam
Acompanhada de um sonho perfeito
Estava eu parada, ser humano racional
Ser que ao tocar o chão
Destrói a natureza pequena
Vi uma miúda enorme trilha
Pequenos pontos que transitavam à noite
Mas que trabalhavam em paz
De um lado via pessoas desmatando
Ferindo um solo fértil
Despedaçando rosas vermelhas e rosas
E engolindo seus espinhos
Arranhavam o céu com seus pensamentos
Chutavam o vento com rancor
E cuspiam na água que bebiam
Ao mudar meu ângulo
Encontrava miudezas sorrindo
Carregando nas costas folhas vivas
Agindo livremente com felicidade
Mas impulsos vazios me fizeram tocar essa linha
E exterminei uma delas
E tudo se espalhou
E tudo se desorganizou
Nesse pequeno mundo todos se desesperavam
Uns gritavam, outros corriam
Uns choravam e socorriam
E a união se fez presente
A pequena vida que deixou de existir
Foi carregada com lágrimas
Era o fim de sua história
Comportei-me como serra
Que derruba árvores
Que fere seu tronco
Que a faz morrer de tristeza
Meu coração suspirou e chorou
Ah se eu fosse como as pequenas
Teria mais amor em mim
Se eu fosse como elas
Abraçaria toda Amazônia
Pintaria no horizonte pássaros gigantes
Deixava o vento cantar pela eternidade
Inventaria novas cores
E perfume de flores
Faria as ondas do mar dançarem para o mundo
Se eu fosse como elas teria valor maior
O sol me saudaria
São pequenas formigas irracionais
Mas que pensam com o coração
Têm paixão por sua terra
Honram o ambiente que é nosso
E são maiores que a humanidade.
-
(
Bianc'Albuquerque)